Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
ContatoContato
Textos


Certa viagem de ônibus

Andar de ônibus é o termo que quase todo mundo usa aqui no Norte quando vai usar esse meio de transporte, não sei por aí a fora, mas pouco importa. Não fosse o perigo constante de assaltos e a superlotação, confesso que daria preferência, a ter que usar o carro, pelo menos nos dias de trabalho. Sim, porque pra mim é uma distração incrível ver as diversas paisagens e o cotidiano das pessoas como realmente é, gosto muito e aprendo bastante.
 
Pois bem, num desses dias que resolvi arriscar e fazer um belo passeio de ônibus pela cidade, algo inusitado me aconteceu. Eu estava bem distraído, sentado do lado esquerdo do corredor, contra o sol olhando a bela cidade (verdade) e me pus a meditar sobre a vida, meus amigos, meus parentes e outras coisas que não convém falar aqui. Terminei me detendo mais no meu irmão, “o Coronel”, esse apelido que ele mesmo se auto intitulou numa suposta herança de nosso avô, na época “Coronel de Barranco”.
 
Mas pensar no “coronel” é sinônimo de sacanagem, por que a metade da vida ele passou fazendo e a outra, senão, pensando, ele ainda é muito divertido e quando está reunido com os amigos mais chegados, aí lasca tudo ninguém fica sério. E eu ia assim, com um sorriso no rosto e várias lembranças, numa delas soltei sem querer uma gargalhada, me contive, mas percebi que algumas pessoas me olharam, as que estavam à frente se voltaram e as detrás eu as surpreendi.
 
Passou-me um episódio por Ele contado de outro amigo tão sacana quanto o próprio coronel por nome de Isac, pois bem, estava realmente a ponto de ri bem alto, e virei-me pra janela com a mão na boca pra sufocar o riso. Nesse ínterim não percebi alguém sentar do meu lado. Quando volto o rosto pra frente e olho ao redor estava um sujeito que a principio me deu medo, de tão feio, todavia o susto me fez ri mais ainda, o infeliz estava rindo e eu pensei que ele estivesse fazendo careta, meu Deus do Céu, notem: Ele só tinha dois dentes podres e um quebrado por baixo de um bigode amarelado, cabelo alto e assanhado, a cem metros, imagino, dava pra sentir o bafo de bode nunca banho tomado, mas tudo bem, lembrei-me de que sou cristão e o amor ao próximo é regra máxima.
 
Mas o cara resolveu falar, mesmo de boca aberta, não posso dizer a bem da verdade que aquilo era um sorriso, Ele me disse: - pode me contar pra eu ri também – pensei em mandar Ele se olhar no espelho que era o suficiente pra passar o resto da vida rindo, mas me segurei e ri mais ainda do meu próprio pensamento, já me condenando por pensar isso do moribundo. Então lhe falei: - nada não amigo, você deve tá falando isso porque me pegou rindo sozinho, não é mesmo?! Ele riu mais ainda e falou: - Sim, mas ri sozinho é coisa pra doido, vai me contar?! Achei que Ele tinha gostado de mim e pensei: - não vou decepcionar esse atordoado; Ok, vou contar pra esse maluco, mas fiz uma ressalva: disse pra Ele: - Tá bom vou te contar, mas ri pra lá! Ele botou a mão na boca e rindo me disse: Ué, por quê?! Não gostou do meu Kollynos? Aí quem riu foi eu, e pensei esse cara é mais doido do eu pensava não vai me largar fácil assim.
 
E o ônibus rodando, balançando mais que bunda de funkeira cheia de celulite, eu não tinha destino mesmo, pouco me importava e ele danado rindo, e eu dizendo pra ele: - para de ri cacete senão eu não conto mais - era quando ele mais ria...  Aí eu resolvi perguntar: – de que tu estás rindo se eu ainda não te contei nada, aí que o miserável ria mesmo e eu também, ficava pensando: - esse cara é doido de carteirinha. Sempre que ele fechava a cara com a mão na boca eu me lembrava da minha tia Nair, nossa! A coitadinha era feia... e eu ria muito mais, Ela era quase igual um espantalho em pessoa, mas um coração maravilhoso. E fazia o mesmo gesto do assombrado. Foi então que ele me falou: - a minha parada já passou e não tenho mais dinheiro pra voltar, tô lascado vou andar pra caramba... mas me conta rumbora...
 
Aí eu pensei: - vixe vai sobrar pra mim... e disse pra Ele: - Não esquenta não, eu te dou o dinheiro do teu onibus. Pronto! Aí ele quis me abraçar e já me chamava de amigão, relaxou na cadeira e disse: - já tô ouvindo... eu estava quase esquecendo do Isac e o seu minúsculo aporte sexual.
 
“Contava o tal Isac pro meu irmão que uma vez, um tanto embriagado, pagou pra sair com uma garota de programa e na hora do “vamos ver” a tal moça tomou um susto e deu um pulo pra trás e ele lombrado perguntou pra ela: - o que foi? E Ela disse: - cadê o bicho?! E ele falou: - num tá aí não?! Era um monte de cabelo maior que o da Maria Betânia, Ela disse: - tá não, só se estiver debaixo do matagal, e Ele falou: - Vai espalhando pentelho ai que tu encontra....” kkkk...
 
O cara quase morreu de ri e eu só via gente descendo do ônibus, não sei por quê. Se tinham ouvido a piada ou do fedor da boca do fedorento. (ficamos amigos). Por fim chegamos à estação que eu não sabia ao  certo onde era o chamei pra comer alguma coisa e ele querendo que eu contasse outra... aí sentamos... Bem, isso fica pra outra vez....
 
Obrigado por terem lido, desculpem alguma coisa... rsrsr
 
Pelo amor de Deus não contem isso pro *Isac... kkkk
 
*Nome fictício
 
_______________

 
António Souza
Enviado por António Souza em 26/12/2018
Alterado em 27/12/2018
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Antônio Souza - www.antoniosouzaescritor.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

O Enigma de Esmeralda R$29,90
Site do Escritor criado por Recanto das Letras