Antônio de Souza Filho
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Benjamim

Benjamim trabalhava para um grande Banco, ali havia uma garota que se dizia loucamente apaixonada por Ele, ela fazia de tudo para despertar sua atenção, isso ocorreu desde o primeiro dia em que começou a trabalhar como atendente comercial no mesmo departamento que o dele. Mas sempre perdia seu tempo, pois os olhos do rapaz eram apenas para o trabalho, embora vez ou outra se surpreendesse com o excesso de bom trato que a garota lhe dispensava.

 
Amanda, depois de algum tempo passou a ser um nome que Benjamin jamais esqueceria. Coisas do destino. 

Era uma garota de traços finos, morena clara, rosto afilado, olhos castanhos escuros, cabelos claros ondulados quase chegando aos quadris, lindos, bem cheios, o que dava em seu rosto a impressão de uma foto bem clicada, vez ou outra ela usava um lenço, sempre de tons variados que a deixava bem mais bonita, um verdadeiro encanto, outras vezes uma tiara que dizia serem as suas prediletas, sua boca tinha os lábios carnudos e o nariz mediano dava-lhe um traço de uma típica mato-grossense, sobrepujada pelo corpo esguio e nádegas salientes, saias ou vestidos, sempre lhe caiam muito bem. Era uma moça alegre, mas vez ou outra parecia estar no espaço, se perdia em pensamentos, parecia esperar por algo, mas não sabia ao certo o quê.

Amanda escondia a paixão que tinha pelo colega, mas deixou-o saber que estava noiva e que os seus pais a queriam ver casada, pois o rapaz era de uma excelente família e todos gostavam dele, mas o seu coração pulsava forte por Benjamim e jurou que um dia o teria para si, mesmo que fosse noutra vida, sabia, somente “ele” poderia fazê-la realmente feliz, isso Ela trazia dentro do peito, mas tinha que se contentar, o destino parecia lhe pregar ainda uma boa espera. 

Um dia, entretanto, os dois não puderam se evitar e o primeiro flerte surgiu, não tanto por um acaso, mas por pura provocação de Amanda; foi numa festa de aniversário de outro colega, em determinado momento os dois ficaram a sós. 

- Você é mesmo compenetrado no trabalho, não tem olhos para mais nada em sua volta, não é mesmo, - disse Amanda. - Por que diz isso, - respondeu-lhe Benjamim; (A) - Vou direta ao ponto, sou louca por você e nem sequer um olhar consigo lhe despertar. (B) - Você é muito bonita estaria mentindo se dissesse que nunca a notei, mas trabalhamos no mesmo banco não ousaria lhe conquistar, preciso do meu emprego e depois sabemos que vai se casar em breve. (A) – Sei, isso é verdade, mas a chave da igreja está em suas mãos, penso em você todos os dias à toda hora, não sei é mais forte que eu. (B) – não quero me aproveitar desse momento, talvez você esteja confusa é natural quando se chega a esse ponto perto do casamento, podemos ser amigos, não posso ter nada sério com ninguém, ainda não é a hora. (A) – não quero que se comprometa comigo, não quero afastá-lo de seus planos, namore comigo mesmo às escondidas o meu amor por você me permite essa loucura.

Encantado e sem argumentos Benjamin se emocionou, pegou-lhe as mãos e as beijou e sentiu algo que até aquele momento nunca lhe havia acontecido, se envolveu num abraço e o perfume do corpo e dos cabelos de Amanda o fizeram viajar num mundo que para ele era totalmente desconhecido. Daquele dia em diante sabia, nada mais seria como antes.

Os dias se passaram, Benjamin sempre fazia viagens curtas a serviço do banco e quando voltava se encontrava as escondidas com Amanda, eram momentos mágicos e cruéis para ambos, pois sabiam seus rumos eram diferentes, ainda assim seus momentos eram intensos, faltava tempo, sobrava amor.

Amanda e Benjamin tinham uma maneira bem peculiar de se comunicarem enquanto estavam distantes, seus escritos, bilhetes e cartas quase sempre tinham partes de músicas, às vezes diziam o que queriam através das letras geralmente eram românticas e foram se acostumando assim, os gostos musicais de ambos se afinavam gostavam sempre das mesmas canções e dos mesmos cantores.

A afinidade entre eles transcendia ao natural, as mesmas flores, os mesmos animais, os mesmos locais que diziam, um dia iriam conhecer e até mesmo as árvores que também diziam acharem lindas, dentre elas, as mangueiras, as castanheiras e os abacateiros; viajar por uma estrada sem rumo num carro possante parecia ser um sonho, mas um dia se prometeram: – ele dizia “eu dirijo um pouco e você outro pouco” e ela dizia – “eu dirijo mais” e brincavam de brigar por quem passaria mais tempo dirigindo. - Ok eu deixo, terminava por dizer Benjamin e Amanda ria agradecida e nisso trocavam beijos e carinhos.

- Não deixe que eu me case, suplicou Amanda e prosseguiu: - “eu te amo”, seremos infelizes pela vida se ficarmos distantes você para um lado e eu para outro, acredite somos almas gêmeas, qualquer coisa que você pretenda, nós poderemos conquistar juntos, teremos filhos e seremos felizes. Benjamim entristecido argumentou: - Também amo você, mas não posso lhe oferecer nada por enquanto, você bem sabe disso, sua família nunca me aceitaria e nossa vida seria um inferno.

Benjamin vivia se culpando e achando que estava impedindo a garota de viver uma nova vida, casada e com filhos, enfim, ser feliz e ter a sua própria família. Numa nova viagem iria passar mais tempo e resolveu terminar o namoro mesmo às escondidas com Amanda, liberando-a totalmente para que se casasse. Amanda sofreu pra caramba, escrevia-lhe todos os dias dizendo que o esperaria o tempo que fosse preciso, mas não teve jeito a sua ambição por novas promoções no banco o tornaram inflexível e ela por fim desistiu e casou-se, pediu demissão e foi morar no Rio de Janeiro com o marido e por lá ficou.

Ao retornar de viagem Benjamin soube o que acontecera, desesperou-se internamente, sofreu calado por vários meses, e fingia que nada tinha lhe abalado, como sempre fazia meteu a cara no trabalho, pediu para viajar mais vezes, tentava em outros braços sufocar a saudade que tinha de Amanda, tudo em vão o sorriso dela, seus carinhos, seu cheiro, estavam impregnados na sua alma, toda garota bonita que via lhe faziam lembrar-se dela e como de costume escrevia longas cartas e depois as rasgava, continha um pranto que sabia, somente Amanda enxugaria.

Depois de algum tempo Amanda voltou, estava enferma, na cidade do Rio de Janeiro onde morava sofreu um acidente que a deixou quase paralítica, o marido ficou por lá em razão do trabalho e ela voltou a morar com seus pais, a doença se agravava a cada dia, todo seu tempo estava tomado entre casa e hospital, usava medicações fortes que a fazia dormir bastante, mas em seus sonhos Benjamin estava sempre presente e quase sempre se ouvia chamá-lo, como se com ele estivesse conversando, sempre que acordava havia em seu semblante uma ternura incomparável.

Benjamin não passava mais que dois dias na cidade sede do banco, vivia viajando e se recusava receber notícias de Amanda, mas certo dia tomou conhecimento que ela havia voltado e que estava muito doente, novamente se inquietou, tudo voltou a sua mente e seus pensamentos nela se multiplicaram, quis visitá-la, mas ficou medo da reação, tanto dela quanto de seus pais, pois eles sabiam o quanto Amanda sofreu por Ele. Amanda soube que ele estava na cidade e resolveu lhe mandar uma carta.

Querido Ben (era assim que sempre o chamava)

Escrevo-lhe esta carta no retiro mais profundo do meu coração, me lembrar de você tem sido o meu melhor passatempo e saiba é o que alivia a minha dor. 

Sei que desistiu de nós por motivos que posso compreender, mas jamais irei conseguir aceitar, pois sempre soubemos somos um do outro.

Quero que saiba que em nenhum momento da minha vida deixei de pensar em você e o quanto te quero e a falta que você me faz, eu te amo Benjamin e sei te amarei para sempre.

Minha história teria sido outra e com final feliz se juntos estivéssemos, mas creio em Deus e sei que tudo é no seu tempo.

Estou doente em fase terminal, mas apenas começa para mim uma nova espera que sei acontecerá um dia, noutra vida se Deus quiser.

Beijos. Eu te amo!
Eternamente tua, Amanda.

Quando Benjamin recebeu a carta, também soube a notícia que Amanda havia morrido poucos dias atrás. Retirou-se por um dia inteiro para o sítio onde se viram pela última vez a pedido de Amanda, chorou bastante se lembrando dos momentos que ali tiveram, ouviu as músicas que ambos gostavam, embriagou-se com uma garrafa de uísque e sentiu que a partir dali iria perambular pela vida a fora em busca de um amor verdadeiro que sabia existir em Amanda.

Outra vez enterrou a cara no trabalho e acrescentou os estudos, se propôs a retomar o antigo sonho de ser médico. Agora já não existia mais tempo para pensar em ninguém o amor estava apagado em seu coração. Lembrou-se do que um dia Amanda em sonhos lhe falou: “você terá muitos amores, elas te amarão perdidamente, mas somente de mim te lembrarás, até que eu volte; saberás quando for pra ficar, até lá irás sofrer a minha falta, mas antes que morra eu venho te resgatar e seremos felizes para sempre”.

Benjamin ainda perambula pela vida, mas sempre com uma esperança de encontrar Amanda noutra mulher.

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Antônio Souza
(Contos/Romance)

Música: 
https://youtu.be/ec_Jzn0bW8w 
Vinícius de Moraes & Tom Jobim • Eu Sei Que Vou Te Amar
 

www.antoniosouzaescritor.com
 
 
 
 
Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 15/03/2019
Alterado em 10/09/2019
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