Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
ContatoContato
Textos


Seu Pretinho - Uma história de amor e perdão
 
1ª Parte
 
Quem diz que os animais nada têm para ensinar pode estar muito enganado, Eu, pelo ao menos aprendo sempre. Se cachorro tem alma eu não sei, mas sensibilidade nisso eu aposto, tem de sobra e se duvidar tem muito mais que muita gente, além de outras coisas que agora você também vai saber. Como diz o Tadeu Smith: - Você vai ver! No caso aqui, você vai ler.
 
Há tempos que nos fins de semana a turma lá de casa vai e vem do Sítio que temos e sempre que lá chegamos é uma festa danada de cachorros vindos de todas as bandas. Ocorre que nos últimos tempos a quantidade estava diminuindo notadamente e o que nos contavam era que eles tinham morrido, mordidos por cobras, de fome e outras coisas tristes. Porém, o bonitão aí da foto parecia desafiar o tempo e a todos, estava sempre afoito, era o que mais se alegrava com nossa chegada, em particular da Marilene a mãe de todos. Santo Deus como ela atrai cachorros, penso que noutra vida ela foi uma cadela ou mãe de São Lázaro, não sei. Ela fica tão contente, leva ração para todos e se entrete mais com eles que com outras coisas. Sempre que voltávamos, Ela dizia: - poxa não sei como vai ser no dia que a gente chegar e o pretinho não estiver mais aqui.
 
Na outra semana aconteceu, o pretinho era um dos desaparecidos, Ela ficou tão triste; era ele quem comandava a festa, chegava a se urinar todinho de tanta alegria, rolava na grama na areia corria pra lá e pra cá, não deixava ela em paz; Eu tentei confortá-la, dizendo: - Ele deve estar por aí noutro sítio, comendo comida de verdade, você só trás ração, alguém deve tá dando churrasco, macarronada, lasanha, e asseverei: – o quê, cachorro é sem vergonha, onde tem comida melhor é por lá que ele fica; Ela ficou assim, triste e pensativa, olhou pra mim e disse: - Será? Eu tenho certeza que ele está vivo e calou-se. Voltamos pra casa e o semblante dela era de destruída, e Eu fiquei pensando: - Lá vai Eu incluir cachorro na minha oração. Na outra semana, sem que eu soubesse ela levou comida pronta, lá eu notei, mas não disse nada. O mesmo cenário, alguns outros cachorros menos o Pretinho. Na terceira semana do mesmo jeito. Eu pensei: - bem, é melhor distraí-la com outras coisas. Durante a semana a convenci que o Pretinho havia morrido, mas ela não se convencia e sempre me dizia; - morreu não, eu sinto que não.
 
Na quarta semana ninguém quis ir pro sítio fomos só eu e ela, pela estrada e no ramal ela vinha atenta, com a comidinha dele pronta e um ar de esperança no rosto. Desci do carro abri o portão estacionei, abri a casa e ela voltou pro portão, olhou para um lado e para o outro, pela janela eu a vi voltando ainda mais triste; eu pensei: - Lascou-se deve ter tido notícia ruim. Ela me abraçou e chorando me disse: - agora nem ele nem os outros parece que todos morreram. Eu disse: - calma, acho que não; vamos lá para o igarapé, a gente toma banho, depois eu vou fazer um churrasco, quem sabe eles sintam o cheiro e venham pra cá. Ela continuou triste, não quis nem entrar n’água. Já se aproximava do meio dia. Eu dei uns dois mergulhos, então eu disse: - vou fazer o fogo, ela entrou para fazer o arroz e uma farofa.
 
Pouco depois ela sai da casa feito uma louca na direção do portão, eu me distrai peguei no espeto quente queimei meu dedo e um “arre égua” saiu da minha boca seguido de um “abana abana” pra passar a dor, olhei novamente e me lembrei do final do filme “Dio come te amo”, ela corria pro pretinho e o pretinho corria pra ela, e foi uma alegria sem tamanho ela ria e chorava ao mesmo tempo, ele estava todo sujo, parecia ter saído d’uma masmorra, então ela o abraçou e a ouvi dizer: - seu safadinho, por que fez isso comigo?! ... mas eu te perdoo; e o danadinho ficava se rebolando na areia e puxando a roupa dela, a minha dor de queimadura passou de imediato fiquei apenas balançando a cabeça e pensando comigo mesmo: - Eu, hein! Foi um almoço muito especial, imagino que o pretinho nunca comeu tanta picanha assada.
 
Mas chegou a hora de voltar e eu pensei: - vai sobrar pra mim, - lá em casa já tinha três cadelas. Ela me fitou e disse manobrando: - Poxa, já temos as três né?! Então não dá; vamos levar ele lá pra da casa da mamãe, não posso mais deixar ele aqui, vai terminar morrendo. Eu fiquei calado, mas pensei: - só se eu não te conhecesse dona Marilene, quer me comover, né?! Olhei para o safado ele abanou o rabo como se estivesse participando da conversa e com graça se aproximou de mim. Pareceu-me ouvi-lo pedindo: - Leva eu daqui! E o meu coração foi aos pedaços. Então eu falei: - teu aniversário tá bem perto, né?! Ela respondeu com outra pergunta, porque tá falando isso?! E já foi rindo e dizendo, aceito, aceito... meu presente, tá feito e me abraçou, Ela ficou tão feliz. Fomos direto para um pet shop dar banho no Pretinho, cortar as unhas dele e tudo o mais. Agora temos: três cadelas e o Pretinho.
 
2ª Parte
 
Quando o pretinho saiu do Pet Shop, lembrei-me do filme “Um Príncipe em Nova York” a gaiata figura do Eddie Murphy; - o Pretinho ali, desconfiado e balançando o rabinho, todo metido a bacana, senti vontade de ri e comecei a pensar por ele: - quero ver o que vão fazer comigo agora, tomara que não me levem para um canil; e interagindo com ele eu falei: - preto safado tu acaba de acertar na loteria e falei pra Marilene: - Olha só, as três vão pirar com esse cheiroso, quero ver a cara dele quando se deparar com três cadelas virgens, ela me respondeu: - Ele vai se decepcionar porque as duas Duda e Valentina estão castradas, só falta a Flora por que tá muito gorda e a coitada você sabe é sobrevivente de sorte. Vou mandar castrar é Ele, isso sim, e começou a ri. Eu voltei a pensar por ele: Puts grilo me ferrei, lá no ramal pelo menos eu dava minhas quebradas de asa... rsrr; voltei do pensamento, olhei pra ele, estava sério como se estivesse entendendo a conversa, aí quem riu foi eu e falei pra ele: - Se ferrou capeta, vai ter que dá teu jeito.  Ele rosnou.
 
Não preciso dizer da festa que foi lá em casa com a chegada do Pretinho, mas Ele quando viu as três, acho que entrou em parafuso, ficou mufino, envergonhado e eu voltei a pensar por Ele: - Puta merda, três d’uma vez, magrelo do jeito que eu tô, vou me ferrar, essas cachorras vão acabar com a minha raça. Ele parecia entender meus pensamentos de repente levantou a cabeça e fez um giro de trezentos e sessenta graus e eu pensei: - Deve tá procurando um abacateiro pra comer do fruto e ficar forte e a mim mesmo respondi, tem não malandro, mas eu vou te ajudar, te acalma. Ele olhou pra mim e foi se esconder debaixo d’uma cadeira da área e ficou lá, passou um bom tempo, só saia pra tomar água e comer.
 
Ficou assim por vários dias, também porque estava sendo medicado, coisas pra cachorro ficar sadio. Enquanto isso as três ficavam lhe rondando Duda e Valentina se olhavam e passavam por ele com desprezo, embora com rabo de olho ficassem olhando e pensando: - ah, negão haitiano se eu te pego! A Flora que realmente tinha talento pra coisa já ficava mais na dela, uma mistura de medo e vontade, coisa que também acontece com a moçada nova. Passaram-se alguns dias e o Pretinho assumiu o comando da graça com todo mundo, mas quando a Flora entra no cio é apartada e ele fica só babando; terminou se acostumando com a situação e tornou-se um vigilante de peso, passa o tempo todo na frente de casa vendo quem passa e quem deixa de passar. Por conta do trabalho me desliguei um pouco, só brinco quando chego e um oizinho rápido quando saio, nada além.
 
Mas, outro dia, para finalizar a história, aconteceu algo inusitado. Eu estava entrando com o carro na garagem e ele fugiu para rua, eu desci rápido e fui procurá-lo com medo que ele se perdesse ou fosse atropelado por um carro, ele nunca tinha saído da área de casa e nas ruas transversais o trânsito é agitado. Eu o chamava e ele se distanciava mais ainda, fazendo graça comigo e seguiu pra área de perigo, eu tirei o cinturão e fiquei segurando para intimidá-lo a voltar; nesse instante vem um carro em velocidade branda, mas o motorista eu vi, estava no celular, aquilo me preocupou; ele estava de um lado e eu de outro e o carro iria passar entre nós, eu ergui o braço para que o motorista parasse no mesmo instante que o Pretinho tentou atravessar na minha direção.
 
O motorista freou bruscamente, mas o choque foi inevitável, só vi o pretinho rolando. Aquilo me enfureceu e eu comecei a falar coisas para o motorista: - Você precisa ter atenção no trânsito és cego não me viste pedindo pra parar o carro?! Ele pediu que eu me acalmasse e eu continuei falando: - Por acaso você não sabe que é proibido dirigir falando no celular?! Então o rapaz resolveu descer do carro e eu pensei: - Agora vamos pro pau, numa fração de segundos lembrei-me de minhas aulas de artes marciais na Polícia do Exército e um espírito Kung Fu se apossou de mim; coloquei a perna direita para trás a esquerda na frente, mão esquerda a frente espalmada e a direita recuada, pensei rápido: - vou esperar que ele ataque, então jogo o corpo pra esquerda e dou-lhe um chute nos testículos, ele se dobra e eu aplico-lhe o golpe fatal; na minha mente já o via desmaiado e muita gente chamando o SAMU.
 
Foi então que o Pretinho apareceu, meio desconfiado se refazendo do susto, olhou pra mim, olhou pro rapaz que dava dois de mim e novamente me olhou e pareceu-me dizer: - melhor não Bruce Lee, senão esse cara vai te encher de porrada e aproximou-se do rapaz já balançando o rabinho. O ex-adverso se abaixou passou a mão na cabeça dele, olhou pra mim com ar de simpatia. Por uns segundos ainda permaneci na minha folclórica posição, achando talvez que alguém estivesse me fotografando, filmando coisas do tipo. Pensei em mandá-lo tirar as mãos do meu cachorro, mas me retrai e na minha mente veio a expressão da Marilene quando o reencontrou, dessa vez o Pretinho dizendo para o motorista: - Seu safadinho porque fez isso comigo, mas eu te perdoo. Pronto, a causa perdeu o objeto e pensei o processo tá extinto sem julgamento do mérito. Pedi desculpas do rapaz e ele me falou: - tudo bem, eu sei como o Senhor se sentiu, eu também tenho cachorro. Apertamos as mãos e eu levei o Pretinho pra casa. Aprendi mais uma lição.
 
Mais tarde no meu escritório lendo a Bíblia, discorri sobre a mensagem de Cristo sobre Amor e Perdão. Sim, são dois sentimentos maravilhosos que nos fazem crescer como seres humanos. Recomendo a leitura. ‎
Mateus 18:21-22 · ‎Salmo 86:5 · ‎Marcos 11:25-26 
 
 
__________________________
Antônio Souza
Baseado em fatos reais, otimizado pela dramaturgia.

 
Louvor:

https://youtu.be/4p3BrLED4Mk?list=PLvKnEiAFnmw5QdbCnsoTNbLTFjL6DlVB8
Juiz Capelão Missionário – Dirceu Souza da Silva
Por toda minha vida ó Senhor te Louvarei

 
www.antoniosouzaescritor.com
António Souza
Enviado por António Souza em 04/04/2019
Alterado em 05/04/2019
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Antônio Souza - www.antoniosouzaescritor.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

O Enigma de Esmeralda R$29,90
Site do Escritor criado por Recanto das Letras