Antônio de Souza Filho
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A escolha de Matilde
(Ensaios)
 
De uma coisa eu não tenho mais dúvidas, as pessoas são diferentes umas das outras. Cada ser é único, com emoções, histórias, experiências e modelos sociais que influenciam a maneira com que elas percebem o ambiente ao seu redor. Isso é fato. Saber lidar com pessoas diferentes de nós é um desafio diário e constante. Isso é mais que fato.

Ocorre que tem algumas coisinhas que fogem, pelo menos de repente, da nossa capacidade de entender - digo isso por mim - o porquê de certos comportamentos de algumas pessoas das quais a gente espera tudo, menos aquilo naquele momento. Foi isso que aconteceu certo dia enquanto eu caminhava numa avenida bem bonita numa cidadezinha, onde passava alguns dias trabalhando. Antes que eu esqueça vou partilhar agora com você, sem muitas pretensões.

Arvores de um lado e do outro e várias pessoas fazendo a sua merecida e talvez necessária caminhada diária, eu no meio dessa gente. De repente passa por mim uma figura caminhando avexado e no estilo de maratonista, rebolando os quadris e puxando no calcanhar, a famosa “marcha atlética”, eu olhei rapidamente e fiquei pensando: - que diabo é isso?! Eu, hein. Tudo bem pela maneira de caminhar, não fosse a desproporção simétrica entre o fato a pessoa e a intensão, continuei pensando: - se esse infeliz se imagina numa competição, deve estar louco. O cara devia pesar uns cento e quarenta e nove  quilos, não falei cento e cinquenta por garantia da verdade... rsrsr

Pois bem, Ele usava um boné azul marinho com a imagem de uma âncora na frente, eu imaginei: - deve ser algum marinheiro doidão de passagem por aqui e quer se mostrar, o por quê só Deus sabe, deixa pra lá; mas olhando por outro anglo tive a sensação de já tê-lo visto ou até de conhecê-lo. Mais duas voltas, lá vem ele outra vez, dessa vez caminhando normalmente, porém ofegante e já mostrando a língua de fora; eu tive que ri e ele viu, levantou a lapa do chapéu e me falou e aí Doutor, fazendo sua caminhadinha?! Eu pasmei: - Camarada, eu podia imaginar o Papa Francisco, Frei Inácio de Loyola... menos você – Ele caiu na gargalhada e argumentou: Eu gosto de me divertir, isso tudo é gaiatice minha, lá na empresa eu sou muito sério e preciso relaxar senão eu morro de tanto stress – e eu concordei: - Sim, lá você parece mais com um guarda roupa falante, assusta até o cão. Ele riu. O tal sujeito era o comprador chefe da empresa da qual fazíamos negócios.

Nesse instante chegou um amigo, entrou no papo e começou a falar do Renatão, esse era o nome do gaiato. Dizendo: - Isso é muito palhaço rapaz, quem não o conhece, pensa que é um cara sério, lá no trabalho dele, não, ali ele realmente impõe respeito, mas saiu de lá, até de mulher no carnaval ele se veste, e prosseguiu: - a Matilde que o diga - e os dois riram à vontade. Eu fiquei pensando: - Matilde, esse nome não me é estranho, já tinha ouvido falar por um amigo meu que viajava por ali que por tal mulher foi loucamente apaixonado, rapaz bom, bem parecido e com um futuro promissor, além de ter uma família rica. Então perguntei: - Por acaso essa mulher esposa do nosso amigo é uma que foi miss aqui do município?! Ele disse: - Sim, essa mesma, se encantou com as palhaçadas desse maluco e se casaram, mas ele a trata como rainha, além de fazê-la rir toda hora. E eu me lembrei do motivo pelo qual ela não quis nada com o meu amigo, dizia que Ele era muito sério e não a fazia sorrir. Então, eu apertei a mão do Renatão e recomendei que Ele continuasse com a sua alegria, pois é a melhor maneira de se enxergar a vida. A Matilde só queria ser feliz.

Preciso repensar minha vida, ando muito sério. Você também?
 
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Antônio Souza
(Ensaios)
 
Música:
https://youtu.be/rlOkQSMon1g
Só Pra Contrariar - Nosso Sonho Não é Ilusão / Tão Só
 
 

www.antôniosouzaescritor.com
António Souza
Enviado por António Souza em 05/06/2019
Alterado em 07/06/2019
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