Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
ContatoContato
Textos


Soteco & Germano
(Contos/Causos)
 
Saturnino, esse era o seu nome de batismo. Menino desengonçado, já nasceu puto, com o quê, até hoje não se sabe. Gilermando, esse era o seu nome, já nasceu rindo, de quê, também não se sabe. Como se tornaram Soteco & Germano – ah,  isso todo mundo sabe, ou melhor, sabia; pelo ao menos o pessoal lá da feira, onde eu trabalhava. E é isso que você vai ler, mas não é só por isso não. - Ler aí... - não olha pro tamanho do texto, n’um se acovarda não... rsrsr ... pô – só quer ler haikai... poetrix, duetrix, biritrix... rsrsr. (brincadeira adoro isso aí) – Lá vai.
 
Saturnino, depois Soteco, se parecia com o Cássio goleiro do Corinthians, mas só a boca, - àquela de comer ovo quente - por que a cabeça não sei nem com quem comparar, talvez por isso que a mãe dele não a via com bons olhos e só vivia no cascudo. Era franzino fedorento não gostava de tomar banho, salvo pelo igarapé que tinha logo na descida da bendita feira, travessia para o outro bairro, isso quando o pai dele deixava, então Ele ia pra lá fazer banzeiro com a sua cabecinha... rsrsr
 
O fato é que o moleque não ria, com nada – podia tá a maior esculhambação a melhor piada, palhaços, tudo. Ele não saia do sério, aquele ar de “presidente do supremo”, nos tempos de Gilmar Mendes. Ali com aquele calção da cor de coador de café, camisa de regata desbotada do tal Vasco (vixe) lavando os copos no bar do seu Pai, o único que não desistia de vê-lo sorrindo. É isso mesmo, eles tinham um bar lá na feira e só vendiam bebida, nada de lanche, sopa essas coisas, era cachaça e cerveja, mas era cheio o tempo todo. Por que, era assim: - as mulheres iam fazer as compras de casa, verduras etc... - e os maridos pinguços ficavam se chirrando, como elas diziam – o Zé tá chirrado*, tava bem lá no Bar do Mané, esse era o nome do estabelecimento de Soteco e seu Papai. (*Chirrado: expressão regional)
 
Por conta dessa conversão “ Bar – Feira – Banca da Dona Rosa e o bebum Germano” - que os dois se tornaram notáveis a ponto de merecer esse escrito. Vamos chegar nos outros... continua lendo.
 
Pois bem, Gilermando depois Germano, era pra ser Dilermando, mas por conta da senilidade do escrivão de poucas oiças, - na época o único cartório da cidade, - o nome ficou assim mesmo. Quando foram ver direito o nome do infeliz, o estrago já estava feito e ficou por isso mesmo. O velhinho disse que não ia ajeitar por que na hora que ele perguntou o nome e disseram, ele até entortou os beiços achando estranho, mas ninguém disse nada. Então já era. É assim e assim mesmo. E assim ficou. O consagrado violinista carioca (Dilermando Reis) que seria homenageado no nome do menino, mesmo no sepulcro depois dos fatos deve ter dado graças a Deus, mas nada pessoal, vamos lá.
 
Dona Rosa era a quitandeira mais bacana da feira, todo mundo gostava de fazer compras com ela, a banca era sempre cheia de gente na maioria mulheres, pois, além de ter um preço razoável, seus produtos eram de primeira qualidade e a simpatia dela era o cartão de visita – mulher esperta agradava a todos, daquelas que beija Deus e abraça o cão, mas na boa, ela realmente tinha um coração muito bom. Comigo era assim: eu vendia pirulitos pra minha avó devia ter uns doze anos e Dona Rosa dizia pra mim: vai brincar menino, deixa tua tábua aqui que eu vendo pra ti e assim fazia, no final da manhã a tábua tava seca e o dinheirinho reservado, ela me dava uns cheiros pelo pescoço e mandava lembrança pra vovó. Eu a adorava.
 
O problema ali era o já Germano desde que o ainda Saturnino o chamou assim, pois numa das poucas falas expedidas disse pro bebum chato que o nome dele era muito complicado e o batizou com uma doze de cachaça, dizendo: de hoje em diante tu és Germano, em contrapartida Gilermando que deveria ser Dilermando e agora Germano, também batizou com cachaça o então Saturnino, dizendo: o teu é mais escroto que o meu e de hoje em diante vai ser Soteco; (puxando no éco) nesse momento o moleque quase sorri e o Pai viu, gostou e passou a chamá-lo também de Soteco e assim ficaram.
 
Mas, o quase sorriso do moleque ficou por ali mesmo; foi quando o agora Germano falou pro Mané dono do bar e pai do já Soteco, dizendo: - Rapaz, paga um prêmio pra quem fizer esse desgraçado rir. E o Mané pulou: - Epa, pera aí desgraçado não, ele é meu filho, respeita. Mas ficou pensando, será?! Germano correu, pulou fora.
 
No dia seguinte, na frente do bar, tinha uma cartolina branca com escritos em vermelho, dizia; - QUEM FIZER SOTECO SORRIR GANHA UMA CAIXA DE CERVEJA E DUAS GARRAFAS DE PINGA – pronto, a notícia correu a feira e o bar do mané virou um cagaço só.. rsrsr era gente de cara pintada, bebo sem dente, sem dentadura e nada do menino rir. Parece que deu foi mais raiva nele, passou a usar um boné, quer dizer um bonezão por conta do seu cabeção... rsrsr
 
O germano era um gaiato criativo e fazia compras pras mulheres avexadas que não gostavam de entrar na fila; coisas assim: um kilo de batata, um cheiro verde, uma melancia e outras coisas rápidas, então elas pagavam uma dose pro Germano e logo ele estava de volta com as compras – Ele tinha uma estratégia, como só vivia fedendo e com bafo de cachaça, Ele ia avançando e abrindo a boca com se estivesse com sono – não tinha outro jeito toda mulherada se afastava e ele fazia o seu pedido – e dona Rosa brigava com Ele - ah, bebum chato, toma , vai logo, sai daqui, nojento, mas volta (dizia baixinho). A outra maneira era assim; Ele lá de traz da fila gritava: Eu quero um cheiro verde e o troco de beijinhos kkk – todo mundo ria e Dona Rosa dizia: - deixa eu atender logo esse chato senão daqui a pouco ele vai pedir o troco de outra coisa, eu conheço esse imoral.... Nesse dia ela disse: - eu quero ver é tu fazer o Soteco Rir, aí eu digo que tu é Germano mesmo e riu do bebum. Ele olhou pra Ela e disse: - Ah, é – a senhora vai ver – e já saiu rindo.
 
O bar tava cheio de gente e todo mundo fazendo graça pra ver se o Soteco sorria. Foi quando o Germando chegou e foi alardeando – BRIGA DE MULHER NA BANCA DA DONA ROSA – de imediato Soteco pulou o balcão pra ir ver, olhou pela calçada e falou é mentira. Nesse instante Germano chegou por traz e abaixou o calção dele Gritando – CADÊ A PIROCA SOTECO - ??? – O Soteco riu, riu que só – Ele estava de cuecas e assim ficou, parou de rir e saiu correndo atrás do Germano com um pedaço de pau na mão... eu te pego leproso!!!
 
Depois disso Soteco sorria à toa quando as pessoas falavam com Ele. A pergunta ficava no Ar “CADÊ A PIROCA SOTECO”.
 
Germano passou a semana bêbado. Continuaram amigos. E o Mané ficou feliz.
 
___________________
Antônio Souza
(Contos/Causos)
 

www.antoniosouzaescritor.com
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 26/06/2019
Alterado em 28/06/2019
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Antônio Souza - www.antoniosouzaescritor.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

O Enigma de Esmeralda R$29,90
Site do Escritor criado por Recanto das Letras