Antônio de Souza Filho
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O último trem
 
Dois motivos me trouxeram até esse teclado: A alegria de um momento ímpar com minha querida filha e a despedida precoce de um menino que vi nascer, crescer entre a gente e tristemente partir dessa vida de maneira tão esdrúxula.
 
O trinta e um de julho próximo passado, tinha tudo para ser uma data alegre e inesquecível, pela primeira vez eu e minha filha advogados que somos, dividimos a mesma audiência de instrução num fórum de nossa cidade. Vê-la atuando foi maravilhoso, enquanto discursava brilhantemente eu me lembrava da garotinha que se lambuzava com iogurtes e eu contribuía para que seu rosto ficasse todo melado, ela adorava “Danette”, de morango e chocolate, depois de lambuzada eu a mostrava no espelho e ela se acabava de rir, tinha apenas dois aninhos. Além disso foi também o seu aniversário, tivemos um almoço simples, mas cheio de amor. O dia foi lindo.
 
Mas no dia seguinte, uma notícia triste deixou manchado o nosso trinta e um de julho deste ano. Um coleguinha seu que cresceu praticamente em nossa casa à nossas vistas, na calada da noite do mesmo dia, suicidou-se. Desesperou-se por um amor não resolvido. A garota a quem amava não mais o queria ele tinha com ela uma filha linda. Foi muito triste!! - Gugu esse era o seu apelido, cresceu sem pai, mas muito amado por sua mãe e por todos nós. Ele me chamava de tio e me pedia à benção toda vez que me via, ainda grande, agia da mesma forma. Um rapaz carinhoso, educado e cheio de beleza. Como entender isso... - como a gente se sente impotente ante uma situação assim... - por quê?..., por que não me procurou pra conversar... por que sofria sozinho…? A morte de um jovem é sempre muito triste.
 
Sei que isso é apenas um fato a mais, nessa imensidão de vida cheia de conturbações entre as pessoas e dentro delas próprias, cada um com sua cruz. Daí a reflexão. Volto pra mim e vejo cicatrizes em meus joelhos, antes esfolados de tanto cair e levantar, vejo fogueiras que pulei para ser decente, digno de mim mesmo. Também sei de pessoas que caíram e se levantaram e foram em frente, são exemplos de boa conduta e dignidade, devemos nivelar por cima, embora com o coração triste por tantos fatos lamentáveis. Todavia o que sabemos é que a morte é inevitável, mas ainda que tudo aponte para o final devemos estar com a bandeira da paz erguida, com bom ânimo e a tolerância perseguida. A vida é um eterno aprendizado, mensagear o bem nunca é demais. Vamos viver e deixar viver. Nunca devemos esconder os nossos problemas, pois todos eles têm uma solução, nisso Deus também ajuda.
 
Daqui a pouco o trem vai passar, acho que devíamos pensar em que parte da vida fomos mais felizes, se quando criança, adolescente, jovem ou adulto. Aposto quase tudo se perguntasse pra você leitor a sua melhor fase, diria ser quando criança... se assim for, penso que podemos deixar essa criança sair de novo e ficar mais tempo com a gente, - vamos brincar com leveza, ainda que sérios, - sim, porque para ser feliz é importante saber ser criança, e isso não está ao alcance de qualquer um. Até porque, ironicamente, exige uma maturidade incrível. Vamos ser feliz! Esse trem não tem hora pra passar, nem pra mim, nem pra ti. - Aqui nesse meio encantador cada ano desaparece um, quando sabemos: - sim, – foi-se, sem um adeus, sem um aceno sequer..., resta-nos o pesar e as boas lembranças.
 
Veja, em apenas um dia você pode estar bastante contente sem saber que neste mesmo dia a morte está te rondando ou algum dos teus, pense nisso. Alegre-se, anime-se.
 
Por ora, aqui na sala de espera e espero que demore, vou continuar querendo o que sempre quis, finalizar meus dias, tentando ser legal e se possível um velhinho simpático.
 
E você?!
 
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Antônio Souza
(Crônicas)
 
 

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Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 03/08/2019
Alterado em 03/08/2019
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