Antônio de Souza Filho
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Jovem é outro papo
 
O cotidiano das pessoas tem coisas inusitadas e alguns episódios tornam-se eternos na lembrança, tristezas e alegrias se misturam e engraçadas também. O que vou contar aqui foi lembrado por situação semelhante à de uma escritora, contada aqui no seu último texto. Faço essa menção com a devida vênia.
 
Eu me encontrava quase que na mesma situação que ela, também procurava preencher alguns espaços de tempo vazio no meu dia a dia e fui procurar atualizar meu inglês já enferrujado por falta de uso. Pois bem, fui na UFAM e me matriculei para uma turma aos sábados à tarde, combinando com o meu tempo ocioso. Tudo certinho, fomos à primeira aula. Por algum motivo cheguei atrasado.
 
Bati a porta, ainda não estava o professor, em compensação uma turma de adolescentes; logo pensaram que seria eu o professor que esperavam – todos se arrumaram em suas carteiras e em uníssono bradaram: - seja bem-vindo professor! A minha vontade de rir foi imensa, primeiro pela surpresa dos alunos que seriam meus colegas a partir daquele instante, o mais velho parecia ter treze anos, segundo, pelo engano deles. Pensei: vou tirar um sarro com esses sacanas... (eu adoro bagunçar com moleques).
 
Com voz atravessada eu falei: - Podem ficar à vontade..., mas não tanto, hein! Sei como vocês são, a gente dá o pé vocês querem a mão... to dizendo pra ficarem a vontade, mas não é pra irem tirando a camisa... os sapatos... as sandálias, né... e continuei: - você ai... – era um gordinho bem engraçado com a mão na boca não se continha de rir, eu perguntei: - tá rindo de quê?!... alguém peidou por aqui?! Hum... - aí todos riram e o gordinho muito mais, em seguida apontou para o colega sentado à sua frente, todos olharam pra ele, alguns se levantaram já pensando em sair da sala e a bagunça se generalizou.
 
Então eu levantei os braços e bradei: - Para, para, para..., vamos parar de brincadeiras seus bobões... eu não sou o professor coisa nenhuma, vim pra estudar com vocês também e começamos a rir todos juntos, ai o gordinho se aproximou e me abraçou me chamando de abestado... “seu abestado”. Nesse instante entra na sala um outro jovem, um pouco mais velho, era o professor devia ter uns dezoito anos por aí... olhou pra mim e perguntou se eu era o novo Reitor... eu olhei pra garotada e eles começaram a rir novamente... aí eu retomei a seriedade nos apresentamos e ele começou a aula.
 
Mas sabem d’uma coisa, foi naquele dia que eu aprendi algo que nunca mais esqueci; vejam só: logo na apresentação de cada um, o rapazinho professor lançou um desafio, dizendo o seguinte: - vamos fazer um círculo e à medida que eu chamar o nome de vocês, deem um passo à frente eu vou falar o nome de cada um e nunca mais vou esquecer, no final da aula provarei o que estou dizendo e também no próximo sábado ao olhar pra cada um também irei lembrar o nome, tá combinado?! Aí eu botei a minha barba de molho, fiquei com meus botões: - será?! Então falei: - vou pagar pra ver professor, e ele me falou: - você vai me dever uma caixa de chocolates, eu aceitei na mesma condição, ele aceitou.
 
Muito bem, todos em círculo e ele com a pagela chamava por cada um, então a gente falava o nome e Ele erguia o dedo apontando em riste repetindo três vezes... tipo: Luiz... Luiz... Luiz..., foi até o último, éramos aproximadamente vinte alunos... seguiu com a aula e no final começou o espetáculo... passava por cada um e dizia corretamente os seus nomes. Ainda no sábado seguinte foi do mesmo jeito. E eu paguei uma caixa de chocolates pro garotão. Até hoje, também emprego esse método.
 
Daí dizer “Jovem é outro papo”.  
 
 
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Antônio Souza
(Contos/Cotidiano)
 
 

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Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 25/08/2019
Alterado em 25/08/2019
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