Antônio de Souza Filho
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Astrovaldo e o Borracheiro
 
Andar estressado parece ter se tornado uma norma aqui por essas bandas, provavelmente pelo calor infernal nesses meses de verão; se alguém disser que o cão nessa época passa umas férias por aqui, eu não duvido, o ambiente é bastante propicio, embora o queiramos bem distante. Introduzindo assim, com sua permissão, naturalmente, para dar vasão ao tema proposto.
 
Pois bem, foi num desses dias que algo inusitado ocorreu com Astrovaldo. Depois de uma manhã carregada de dissabores no trabalho, onde teve de tudo, ralho do chefe, intriga com colegas, reclamação de clientes e soluções pendentes, que ele saiu para o almoço, praguejando todo mundo pra trás, andando e pensando rumo ao estacionamento: - Ufa, não bastasse esse calor miserável, esses abestados a me torrar a paciência, mas eu podia imaginar que o dia seria assim, acordei atrasado, sem água pra tomar banho, usei o creme de barbear na escova ao invés da pasta de dentes, sem contar que a mulher dormiu de bermuda... não podia dá em outra coisa... só falta essa porcaria de carro velho não pegar na chave e eu ter que pedir pra alguém me ajudar a empurrar...
 
Astrovaldo entrou no carro deu a partida o carro pegou e ele aliviou: - ainda bem... mas em seguida o carro parou e Ele gelou: Caramba! - Deu novamente na partida e nada...: - lascou-se – olhou p’rum lado e pro outro, ninguém para ajudá-lo, havia um pequeno declive, abriu a porta e ele mesmo empurrou, pulou para dentro, engatou uma marcha o bicho pegou no trampo, foi embora pensando: - Não posso deixar morrer... Não posso deixar morrer... transito fervendo e ele ali preocupado em não deixar o carro parar... saiu das vias congestionadas pensou pegar outra rua sem muito trânsito e assim foi... rodou mais um pouco e o carro começou a bater, plec, plec, plec, plec... pensou: -Era só o que faltava, pneu furado nessa rua deserta, mas tudo bem, bolso de otário é nas costas... – Abriu o porta malas, em busca do reserva, pneu seco: – Eu mereço... puxou o carro pro acostamento.
 
O suor escorrendo pelo rosto, meio gorducho, com calça deslizando pela bunda que não tinha, com uma mão segurava o pneu com a outra levantava a calça e assim saiu andando a esmo, pensando encontrar um borracheiro, andou uns vinte metros resolveu voltar pro carro, pensou: -  melhor eu ir andando sem o pneu, se eu encontrar um borracheiro peço para vir aqui comigo, talvez tenha um carro, moto ou coisa assim... e foi embora, andando, - pensou em ligar pra alguém, pegou o celular e um motoqueiro parou do seu lado, puxou a arma: - Perdeu, perdeu, playboy... passa o celular e esvazia os bolsos, bora, bora... e lá se foi o celular e os vinte reais que trazia consigo para o conserto do pneu... sentou na sarjeta e ficou desolado.
 
Poucos minutos depois levantou-se e seguiu à procura de um borracheiro, ia pensando já furioso: - Só falta eu encontrar esse miserável desse borracheiro contar minha história e ele rir da minha cara... ah, mais ele vai ver... parece que to vendo ele me chamar de otário por andar com celular na mão em rua deserta... filho da mãe deve ser um daqueles que não pensa em ninguém... vai ver até rouba também... fiedumaégua... mas ele me paga... vou quebrar tudo que ele tiver lá. Astrovaldo estava possesso como se o borracheiro fosse o culpado de tudo. Depois de uns cem metros ele avistou uma borracharia ficou com mais raiva...: - lá está o safado ele que se prepare...
 
Logo ao se aproximar, um esguio rapaz foi ao seu encontro com um sorriso bem aberto no rosto e de braços abertos o recebeu dizendo: - Olá meu amigo, parece cansado, vou buscar água pra você, fique à vontade, depois vamos buscar o seu pneu pra consertar, temos esse carrinho aqui pra isso mesmo... Astrovaldo pasmou: - Ué, não vai me chamar de otário não?!... – O rapaz sorriu novamente: - E por que faria isso?! Se estiver sem dinheiro, também não se preocupe, depois você passa por aqui e me paga, tá bom assim?... Astrovaldo olhou pra parede viu uma imagem de Cristo e um dizer: “Eu sou o caminho a verdade e a vida, aquele que crer em mim, ainda que esteja morto viverá”. Uma sensação de paz o invadiu e Ele voltou a sorrir.
 
Conclua você.
 
 
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Antônio Souza
(Causos)
 

www.antoniosouzaescritor.com        
Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 05/09/2019
Alterado em 06/09/2019
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