Antônio de Souza Filho
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A Igrejinha de Gracie
(Romance)
 
Tudo que Gracie queria, era ser feliz. Cresceu assim entre castelos e sonhos. Bailava em jardins imaginários, delirando sozinha. Sonhava com um príncipe encantado e flores enfeitando sua igrejinha; O amor para si tinha que ser verdadeiro, único e para sempre. A dura realidade não lhe afetava. As adversidades diárias por quais tinha que passar, apenas estimulava suas metas; Gracie era dedicada em tudo que fazia. Seus pais eram pobres e juntos moravam num pequeno vilarejo.
 
Um dia, já na faculdade conheceu um rapaz e no primeiro olhar percebeu que se tratava do amor que tanto esperava, apaixonou-se e fora de igual modo correspondida, o moço também sonhava da mesma forma e via em Gracie a garota de seus sonhos – magia do destino – se prometeram e ambos concordaram, se casariam na igrejinha onde Gracie viveu sua infância e adolescência, - eles se formaram e começaram a trabalhar.  
 
A médica Gracie, com a louca vida da cidade e dos hospitais, aos poucos foi-se esquecendo do seu lado romântico de pensar no amor, pouco tempo lhe sobrava pra sonhar com seu amado, que agora, também, já vivia a vida agitada entre uma vara e outra dos tribunais, advogado, profissão que abraçou; - muito pouco se viam e suas emoções já não eram como antes, quando se conheceram. A importância da profissão e o dinheiro que começou a aparecer, parece que corroía o sentimento amoroso. - Gracie, vestida de médica se tornava um encanto e era constantemente assediada por colegas e até pacientes.
 
O advogado Frank Tadeu, amor de Gracie, determinado a ser Juiz de Direito, realizou o seu sonho, passou no concurso público e foi nomeado para uma distante comarca no mesmo Estado. Gracie se entristeceu e também prestou concurso público na Marinha, aprovada passou a viajar por todos os municípios; o serviço médico aos ribeirinhos a encantava, sentia-se viva e útil à humanidade. - O amor em seu coração parecia que iria mesmo se apagar, sempre que o dia acabava ela entristecia. - Em cada cidade que aportavam, Gracie visitava a igreja do lugar, dedicava suas horas de folga rezando e interagindo com a comunidade eclesiástica naquele labor, fazia suas preces, deixava o seu dízimo e chorava ante o altar, esse altar que sempre sonhou, via-o cada dia mais distante.
 
Frank e Gracie se falavam diariamente, trocavam mensagens a quase todo instante, ao acordar Gracie o avisava, desejando bom dia, logo depois Frank respondia, desejavam-se bom café e bom trabalho, no almoço Frank ligava contavam dos acontecidos e assim também no jantar e na hora de dormir..., estavam sempre bem antenados, era como se estivessem próximos, ainda que distantes, às vezes trocavam fotos e se amavam em pensamentos. Mas isso inquietava Frank, pois tinha medo de perde-la para algum oficial da marinha, todos jovens, bonitos e saudáveis, era um risco constante. Gracie também escondia sua tristeza e se apegava em orações.
 
“O Amor tem seus matizes, encanta e desencanta”
 
Frank e Gracie pareciam entender desse pensar e tentavam se proteger - mas contra as forças do bem, o mal está sempre a maquinar - E foi assim que certo dia um novo oficial chegou no navio de Gracie e com ela se encantou, seus olhos verdes, cabelos dourados e corpo escultural era a medida certa que enchia os anseios de Robert Send o novo comandante da Corveta. Era um Gentle man, além de um belo homem, tinha os olhos azuis e corpo de atleta, cortejava a moça com delicadeza e suavidade. As primeiras investidas foram por Gracie classicamente rejeitadas, mas as demais já a enfraqueciam, muitos dias sem afeto presente, começaram a balançar as estruturas da bela garota. - Certo dia o oficial foi incisivo e bem direto: - Case-se comigo, faremos isso onde você desejar, você é a garota dos meus sonhos e não quero que essa oportunidade escape de mim, de nós.
 
Do outro lado Frank Tadeu começou a ter sonhos inquietantes, sempre se via caindo de paredões, às vezes de altos prédios e até de grandes árvores; quando acordava pensava em Gracie e um frio lhe cortava as entranhas. O Juiz se livrava como podia dos assédios que recebia das mulheres na sua comarca, e tremia de medo em perder a sua menina. - Ironia do destino - em pouco tempo foi nomeado para o Município onde Gracie nasceu e cresceu. Frank sentiu algo estranho e uma vontade enorme de resolver sua vida. Escondeu de Gracie a nomeação. Certa tarde, conversando por telefone a perguntou se ela ainda o amava como antes, ela disse que sim, embora estivesse triste pelo rumo que a vida estava dando a eles. Frank fez-lhe uma pergunta: - casaria comigo hoje?! Ela respondeu: - Sim, é tudo que eu mais quero, já nem me importo que seja noutra igreja. Frank lagrimou e sua emoção Gracie sentiu: - Por que me perguntou isso? Frank calou, Gracie entristeceu.
 
A tarde caia nas calmas águas do lindo Rio Negro, o arrebol se impunha e todas as forças do universo pareciam brilhar de encantos. O vento soprava os cabelos de Gracie e seus pensamentos estavam confusos, lembrava de seus sonhos de infância, da sua igrejinha cheia de flores que ela colhia e enfeitava todos os dias... - nesse instante Robert Send a surpreendeu, ambos, na varanda do navio ele a lembrou: - amanhã estaremos aportando na cidade que você nasceu e cresceu... passaremos quinze dias ali... e outra vez a inquiriu: - case-se comigo já nos conhecemos o suficiente, teremos o tempo necessário para aprontarmos todos os papéis e seguiremos nossa vida onde você quiser. Também se desejar viveremos ali, montaremos um lindo consultório para você e eu vou criar gado como sempre quis, criaremos nossos filhos e seremos felizes. Robert era de uma família rica e único herdeiro de um enorme patrimônio. Gracie olhou pro céu e o seu semblante resplandeceu. Olhou-o fixamente e lhe falou: - quando chegarmos a cidade eu lhe respondo.
 
Na manhã seguinte o barco aportou no cais da pequena cidade, todos iriam descer para o reconhecimento do local, Gracie não conteve a emoção de estar ali, vendo a sua cidadezinha tão querida, mas algo foi mais surpreendente, no cais um carro branco com uma faixa bem exposta chamava a atenção de todo mundo, dizia em letras garrafais: “ Seja bem-vinda minha amada Gracie, sua Igrejinha está pronta para o nosso casamento, te amo.” Frank estava ao lado, de terno branco, em suas mãos lindas rosas vermelhas -  Gracie desceu a rampa correndo e atirou-se em seus braços e o povo aplaudiu a médica e o Juiz. Da cabine de comando Send a tudo assistia.
 
Frank havia preparado tudo para o seu próprio casamento com Gracie, o vestido de noiva e a reunião de toda família.  À tardinha se casaram, a igrejinha estava linda, cheia de flores, iguais às que ela colhia e enfeitava quando criança. Enquanto se dirigia para a igreja numa das ruas centrais Gracie avistou uma placa numa linda casa – “Consultório Médico Dra. Gracie Tadeu” –
 
Gracie pediu exoneração da Marinha. Robert Send seguiu viagem, sem a médica a bordo. - De todas as investidas de Robert, Gracie nunca lhe disse não, mas também, nunca lhe disse sim.
 
Gracie e Frank são felizes até hoje...
 
 
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Antônio Souza
(Romance)
 

https://youtu.be/kHTgD_2WBqM
 
www.antoniosouzascritor.com
Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 08/09/2019
Alterado em 08/09/2019
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