Certas tristezas não se revelam, guardam-se por serem impróprias até mesma de serem lembradas. Tem sentimentos que lamentamos por serem dessa forma tão tristes e por nada podem ser compartilhados, somente saqueiam o peito e destroem a alma com arrependimentos inúteis.
Tristezas que são sentidas como humanos que somos e cometemos algo chulo e imperdoável a pessoas que no fundo não mereciam certos desatinos, mas por força de algo inexplicável são vítimas dessa insanidade de momento, ferem-se essas pessoas e ainda assim elas perdoam mesmo que seja, somente, pelo oficio de serem misericordiosas.
Tristezas que depois se transformam em vergonhas por algo ruinoso cometido que não se pode voltar atrás e desfazer o acontecido, posto que naquele momento pensava-se certo o cometimento e que não haveria arrependimentos. Essas obscenas coisas que se pensa, são justificáveis a si, mas inconcebíveis ao sofredor do descalabro.
Certas maldades, principalmente com pessoas ficam guardadas, e ainda que perdoadas não são esquecidas, permanecem adormecidas no quarto das lembranças tristes e prontas pra serem acordadas e novamente se entristecerem por entenderem que é sempre possível aquele que uma vez errou voltar a cometer o mesmo erro.
O mais cruel de todas essas tristezas é não poder esquecer, ainda que ao coração o conforto tenha chegado e viver com a forte ilusão que certos episódios da vida já foram por completo apagados. O que fazer com isso, eu não sei, talvez ninguém saiba. Ser altruísta é sempre muito complicado. Tristezas sentidas que não são extirpadas. Já ouvi dizer, somente o verdadeiro amor é capaz da soberana façanha, entender, esquecer e continuar amando. Será?!