Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
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O que faremos com a Graça...?
(Crônicas)
 
Muitas pessoas acreditam que não morreram por este maldito vírus, em razão da elevada Fé que depuseram em Deus... uma reza forte, um coração constrito, um clamor e o apoio irrestrito das muitas orações de amigos e familiares. Sim, com certeza, a crença tem fundamento, o que nos leva a pensar na desconstrução daquela máxima, “todos nós temos o dia certo p’ra morrer -  já está escrito etc..”. Será!?
 
O que se tem presenciado por aqui nos hospitais, são verdadeiros milagres... pessoas potencialmente com o pé na cova em razão das várias doenças que acumulam no organismo... vez que esse tipo é o prato preferido do nefasto “Corona Vírus”: pressão alta, diabetes, problemas cardíacos de rins e outros... essas pessoas, por algum motivo saem ilesas e até sem nenhuma sequela... quando perguntadas sobre o episódio, dizem ter sido a Fé em Deus e a súplica pela vida. Eu, da minha parte não duvido, mas me vêm uma pergunta, e agora o que farão com essa graça!?
 
Fatos dessa natureza estão espalhados mundo à fora em vários tipos de ocorrências; facadas fatais, balas no cérebro, desastres de transito, quedas de avião, pique de embarcações, terremotos, incêndios e tantos outros, inclusive aqueles a quem se dizia “já estava com a vela na mão”, simplesmente ressurgem e ganham uma nova oportunidade. Sem proselitismo eu sou uma prova de mim mesmo, já se foram quatro tentativas de me levarem desse mundo: dois assaltos frustrados com disparo de balas, uma até arranhou minha testa, o que me pareceu ter levado alguma coisa incômoda... dois acidentes de carro e uma quase queda de avião, daí eu pensar que realmente eu sou um gato e olhando por esse anglo, ainda terei mais três chances... rsrsr... que Deus me livre.
 
Pois muito bem...
 
Mas o que eu quero narrar com ênfase e que nos levará a reflexão, são dois casos que nunca esqueci; um da vida cotidiana e outro da literatura cristã, que na verdade não é apenas um, mas vou me ater n’um somente p’ra não lhe saturar, meu caríssimo e respeitável leitor. - O da vida aqui, vou evitar o nome da pessoa, por motivos óbvios de algum provável constrangimento; do outro não, pois já está no domínio público. - Estávamos sentados conversando, tínhamos acabado de chegar d’um velório... presente outros amigos e esse herói nos contou. Ele que já vinha brigando com a morte há algum tempo, por complicações no organismo..., entre outras, era diabético e fazia hemodiálise periodicamente. Um cara fora de série, amigo p’ra todas horas.
 
Certo dia ele estava muito ruim e teve que ser hospitalizado... a coisa complicou e entrou n’um estado de coma profundo, com pouquíssimas chances de sobrevivência. Nesse ínterim, dizendo ele, se viu numa grande sala, com luzes amenas e pouca visibilidade do rosto dos que estavam sentados ao seu redor, segundo ele, no seu entender aquelas pessoas estavam prontas para recebê-lo, uma espécie de recepção coordenada, além túmulo e Ele percebeu que estava morrendo.... foi quando corajosamente e humildemente, postulou uma nova oportunidade, humilhou-se como pecador e pediu a graça de mais uns anos de vida. Por unanimidade foi atendido. A tal sala se desfez e as pessoas, espíritos, imagino, se foram... e ele retornou a vida.
 
O texto bíblico transcrevo na íntegra, pois não convém modificar as palavras sagradas:
 
(...)
 
Isaías 38: - 1 Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás. 2 Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao Senhor. 3 E disse: Lembra-te, Senhor, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo. 4 Então, veio a palavra do Senhor a Isaías, dizendo:5 Vai e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos.
 
(...)
 
Nesses dois casos o meu parecer, não tem emendas; ambos foram agraciados por Deus com uma nova oportunidade de usufruir da sua dádiva máxima que é a vida...  Viveram alguns anos a mais do que pareciam morrer. O primeiro, meu amigo, dignificou seus dias, foi um excelente marido, grande companheiro de sua esposa e um pai amoroso, honrado, decente e aumentou o seu amor pela vida. Não se esqueceu de Deus. Deixou uma frase célebre e inesquecível, quando veio novamente a adoecer... “vou lutar pela vida o quanto puder, vou morrer atirando”.
 
No caso bíblico a escritura narra: (...) Isaias 38: 20 - O Senhor veio salvar-me; pelo que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor. – Mensagem de sentido Latu Sensu. Ou seja, Ezequias dedicou-se a causa de seu Deus, conforme seus mandamentos.
 
Ah, se todos que passaram por essa experiência, pudessem fazer, igual ou até parecido como nossos dois heróis aqui nesse texto. Como seria maravilhoso, não é verdade?! Mas nem sempre é assim, muitos após receberem a graça, se danam a fazer tudo o que antes não fizeram, dão vasão a vaidade e em pouco tempo já não se lembram mais o por quê de ainda estarem vivos.
 
Caríssimos, o que estamos vivendo nesse momento na terra, não tem precedentes e não importa a origem do maldito vírus se foi de laboratório ou se é fruto da natureza. Também não serve p’ra desconstruir “ frase máxima” alguma, e sim, tão somente a nossa própria reconstrução como “ser humano”. Se vamos olhar a natureza com outros olhos, os animais, os desvalidos, se vamos ser mais empáticos com o nosso semelhante, se vamos valorizar mais à família, enfim, se vamos olhar o criador, como o único a nos dar explicações p’ra tudo isso e como “Nosso Deus”, sempre misericordioso para nos conceder uma nova oportunidade. - Só depende de nós.
 
Será que tudo isso que está acontecendo servirá para algum aprendizado?! - Será que realmente sabemos o que fazer com a graça, caso venhamos a receber!?

Pense nisso.

 
 
 
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Antônio Souza
(Crônicas)
 
 

www.antoniosouzaescritor.com
Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 27/05/2020
Alterado em 27/05/2020
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