Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
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A vida é curta...

(Memórias)

 

Sempre que ouço alguém falar assim, “a vida é curta”, digo a mim mesmo: pode ser, mas pra mim, tá sendo tão longa, tão sem graça. E isso já faz um bom tempo. Por certo, já me aconteceram muitas coisas boas, porém na soma de tudo é mais tristeza que alegria. O entusiasmo parece que fugiu definitivamente de mim.

 

Desde quando, tudo isso? Acho que sei. ­- Era uma manhã de sol, ventos brandos e nuvens esparsas correndo pelo céu, bem lentamente. Naquele local minhas razões estavam sendo sepultadas, ainda era um adolescente; minha mãe estava baixando a sepultura, ainda tão nova. Trinta e seis anos. Lembro-me bem, eu me aprecei em jogar um pouco de barro como todos fazem. Virei-me e fui em direção a minha casa, agora já sem ela.

 

O cemitério era distante de onde morávamos, mesmo assim voltei a pé, sozinho, e pela estrada, enquanto me lembrava de tudo com ela, ia pensando o que faria da minha vida dali pra frente. Sim, por que tudo o que eu planejava na vida a envolvia como figura principal; por muitos motivos: primeiro porque eu amava demais e ela a mim, também. As minhas expectativas é que eu criaria um mundo novo pra mim e pra ela, longe de todas aquelas coisas tristes que eu via todos os dias.

 

Pensar que hoje, ela poderia estar aqui comigo, vendo nossas coisas, convivendo com meus filhos. Isso me rasga a alma. Não consigo ser uma pessoa alegre. Daí, também, não ter amigos, nem pessoas próximas que se sintam bem ao meu lado. Que se danem. Eu gosto de mim, da harmonia que tenho com o universo. Ademais, sempre disse: “Sou para mim mesmo, a minha melhor companhia”. Quem sabe um dia eu me torno uma árvore bem frondosa e farei sombra pra quem quiser, pra quem precisar.

 

Na verdade, meu mundo está se isolando, a cada dia que passa me sinto mais sozinho, como se todas as coisas estivesse se despedindo de mim. As pessoas que me eram mais chegadas, já partiram e não tenho tido motivação para me aproximar de outras que possam substitui-las.

 

Não devo ser o único a ter esse tipo de problema; casos assim muitas vezes são resolvidos com uma boa união, uma cara metade que venha a somar e dividir, com vistas numa nova vida. Infelizmente isso não foi pra mim. Uma péssima escolha um enorme desastre. Pelos filhos, tudo bem, mesmo com as sequelas da relação. Menos mal. A esperança é a última que morre, sei disso. Tomara que essa esperança não caduque e morra de velhice, junto a mim.

 

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Antônio Souza

(Escritor)

 

Música: https://youtu.be/BcSqa59O_gU?list=RDBcSqa59O_gU

Ney Matogrosso – Poema

 

www.antoniosouzaescritor.com 

Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 12/12/2025
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