Antônio de Souza Filho
Meus Escritos
Textos

O Natal dos Esquecidos

(Prosa Poética)

 

O sino toca longe, como se tivesse medo de chegar. Nas ruas, a luz pisca cansada, e o riso alheio escorre pelas vitrines sem nome. É Natal, dizem. Mas para alguns, o dia nasce igual aos outros: frio, comprido, silencioso. São os esquecidos. Os que não cabem na mesa farta, nem na foto bem-posta.  Carregam sacolas de ausências, embrulhadas em papel de resignação.

 

O presente que recebem é o tempo — esse que passa devagar quando não há abraço. Enquanto anjos de plástico sorriem, eles contam moedas e memórias. Lembram de um lar que já foi, de uma voz que não liga mais, de um Deus que talvez entenda o atraso das preces feitas na calçada. Mas mesmo ali, no canto do mundo, algo insiste em nascer.

 

Um gesto pequeno, um pão repartido, um olhar que não desvia. O Natal dos esquecidos não tem estrela no alto, tem brasa escondida, teimosa, aquecendo a noite. E se há redenção, ela não vem em laço dourado. Vem na coragem de amanhecer outra vez, na fé humilde de que ser visto — ainda que por um instante — já é um milagre suficiente.

 

..................................

Antônio Souza

 

Linda interação do extraordinário Poeta: (ChicoDeGois)

 

BELEZA NATALINA

(Redonde)

 

Oh beleza natalina,

porque é que o mundo te esconde?

Eu bem sei que sois divina,

mas me escuta, me responde: ...

 

Já te pregaram na cruz? ...

Que tristeza, meu Jesus!

Um faminto em cada esquina?

Isso não! Não tem por onde...

 

Oh beleza natalina,

porque é que o mundo te esconde?

 

..........................

(ChicoDeGois)

 

Do nobre poeta:

foto

Alves Batista

 

Na rua fria e vazia,

um pão reparte calor,

Natal dos que não têm dia,

mas guardam brasa de amor.

************

Antônio Souza
Enviado por Antônio Souza em 23/12/2025
Alterado em 09/01/2026
Comentários
O Enigma de Esmeralda R$ 29,90
Site do Escritor criado por Recanto das Letras