O Natal dos Esquecidos
(Prosa Poética)
O sino toca longe, como se tivesse medo de chegar. Nas ruas, a luz pisca cansada, e o riso alheio escorre pelas vitrines sem nome. É Natal, dizem. Mas para alguns, o dia nasce igual aos outros: frio, comprido, silencioso. São os esquecidos. Os que não cabem na mesa farta, nem na foto bem-posta. Carregam sacolas de ausências, embrulhadas em papel de resignação.
O presente que recebem é o tempo — esse que passa devagar quando não há abraço. Enquanto anjos de plástico sorriem, eles contam moedas e memórias. Lembram de um lar que já foi, de uma voz que não liga mais, de um Deus que talvez entenda o atraso das preces feitas na calçada. Mas mesmo ali, no canto do mundo, algo insiste em nascer.
Um gesto pequeno, um pão repartido, um olhar que não desvia. O Natal dos esquecidos não tem estrela no alto, tem brasa escondida, teimosa, aquecendo a noite. E se há redenção, ela não vem em laço dourado. Vem na coragem de amanhecer outra vez, na fé humilde de que ser visto — ainda que por um instante — já é um milagre suficiente.
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Antônio Souza
Linda interação do extraordinário Poeta: (ChicoDeGois)
BELEZA NATALINA
(Redonde)
Oh beleza natalina,
porque é que o mundo te esconde?
Eu bem sei que sois divina,
mas me escuta, me responde: ...
Já te pregaram na cruz? ...
Que tristeza, meu Jesus!
Um faminto em cada esquina?
Isso não! Não tem por onde...
Oh beleza natalina,
porque é que o mundo te esconde?
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(ChicoDeGois)
Do nobre poeta:

Na rua fria e vazia,
um pão reparte calor,
Natal dos que não têm dia,
mas guardam brasa de amor.
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