Ano novo, novas e antigas esperanças
(Prosa poética)
O calendário se renova, mas o coração reconhece os mesmos desejos. Há uma luz discreta no primeiro dia do ano, como se o tempo pedisse licença para recomeçar. Trazemos no bolso promessas inéditas e, no peito, esperanças antigas que se recusam a morrer. Elas sabem esperar.
O ano novo chega com passos suaves, não apaga o que fomos, apenas rearruma a casa da alma. Os sonhos cansados ganham descanso, os feridos recebem curativo de fé, e os que resistiram ao tempo voltam a florescer com mais humildade. Aprendemos que recomeçar não é esquecer, é continuar com mais cuidado.
Entre fogos e silêncios, seguimos. O futuro não grita, ele sussurra. E quem escuta percebe: toda virada é convite — para crer de novo, amar melhor e caminhar, mesmo devagar, com esperança renovada e memória viva.
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Antônio Souza
(Escritor/Poeta)