O que esperar de fevereiro de 2026
(Crônicas)
Fevereiro de 2026 chega como quem não quer fazer alarde. Curto, quente, meio apressado — desses meses que passam deixando marcas sutis, quase invisíveis, mas persistentes. É o mês que ainda carrega o cansaço de janeiro e, ao mesmo tempo, cochicha promessas de recomeço.
As ruas seguem cheias de sol e suor. O verão insiste, mesmo quando o calendário já ensaia mudança. Há dias em que o calor pesa nos ombros e outros em que uma chuva inesperada cai só para lembrar que nem tudo está sob controle. Fevereiro tem dessas vontades próprias: interrompe planos, lava calçadas, refresca pensamentos.
É também o mês das retomadas silenciosas. O ano, enfim, começa a funcionar. As agendas se organizam, os relógios voltam a mandar, e as pessoas retomam seus papéis com certo esforço — como quem veste uma roupa guardada tempo demais. Nem sempre serve direito, mas a gente ajusta.
Em que pese todas essas normalidades, nosso mundo, econômico, político e social já se deparam com grandes desafios. Na economia, mundo à fora, temos a potência que notadamente vai comandar uma nova etapa do mercado, estamos a falar da China e o seu progresso espantoso, tanto para compra como para venda, a despeito de outra potência não menos importante que é os EUA, esse querendo conseguir mais espaço se utilizando da força bélica que possui, além de alfandegárias. Triste isso. É como se tivéssemos que aplaudir a derrota da Diplomacia. Já tivemos a invasão da Venezuela e provavelmente o desmantelo do Irã, que não duvido, fará um barulho sem precedentes. Ainda assim, não será o fim do mundo. Por aqui seguimos com nossos escândalos de corrupção que já nos fizeram achar comum, ainda que lamentável.
Em fevereiro de 2026, não se espere grandes revelações. Espere pequenos sinais. Uma conversa que muda o rumo do dia. Um atraso que vira encontro. Uma decisão miúda que, lá na frente, vai parecer destino. Fevereiro é especialista nisso: plantar sem avisar. As conversas que com certeza serão as mestras, não somente neste mês, mas até o final do ano, são as eleições majoritárias em todo país, cada cidade com seus demônios e credos. Estamos pagando pra ver.
Por outro lado, no social, o mês já desperta pra grandes expectativas, sendo um ano de eleições, normalmente a coisa flui para um bom Carnaval, boas férias, além de torcidas inflamadas, pelo início de campeonatos de futebol em destaque a copa do Brasil e o seguimento do brasileirão e lá no meio do ano a Copa do Mundo.
No fundo, o que se pode esperar mesmo é isso — um mês que passa rápido, mas deixa algo. Um cansaço diferente, uma esperança menos ingênua, um passo adiante sem fogos de artifício. E quando ele se for, quase sem despedida, a gente vai perceber: alguma coisa mudou. Mesmo que ainda não saiba explicar o quê.
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Antônio Souza
(Escritor)
Música: https://youtu.be/XEp5dArgRRg?list=RDXEp5dArgRRg
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